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28 de Março de 2013

Vida Nova ao Tremendão

Não, não é um artigo sobre o Erasmo Carlos.

Mas o Tremendão a que nos referimos aqui também fez um bocado de sucesso mais ou menos na mesma época.

IMPORTANTE! A Bruschi Amps não presta assistência para equipamentos de outros fabricantes. Este artigo é sobre um trabalho que realizamos para um cliente há alguns anos e o objetivo aqui é puramente passar informações.

Um pouco de história

20130320-00 - Front

A divisão de amplificadores da Giannini foi muito ativa a partir da segunda metade dos anos 60 e seguiu firme até o início dos anos 80.

Entre os vários modelos, o mais lembrado é o Tremendão III. Milhares destes amplificadores foram fabricados, mas poucos chegaram aos dias de hoje. A maioria virou sucata há muito tempo.

Eu tenho uma certa afeição pelos Tremendão pois meu pai tinha um “conjunto musical” nos anos 70 e lembro bem das caixas 4x12” vermelhas e verdes com seus cabeçotes Tremendão combinando. Depois disso eu toquei muito nos Tremendões da sala de ensaio do saudoso Mug e em vários palcos por Joinville e região, isto já na segunda metade dos anos 80.

 

A missão

20130320-01 - first view - 700

Não é tão comum fazermos consertos e restaurações na Bruschi Amps mas um cliente entrou em contato, dizendo que havia comprado um Tremendão III (doravante simplesmente denominado “T3”) que precisava de uns acertos. Como o Johnny Werner (que era o restaurador oficial de Blumenau) agora está em Pato Branco/PR, concordei em dar uma olhada no amplificador.

Além disso, mexer nestes amplificadores é sempre uma ótima oportunidade para aprender coisas (não tão) novas. É sempre bom ver e rever alguns velhos (e muitas vezes úteis) conceitos e técnicas de construção. Em especial, é uma chance de aprender como não fazer certas coisas. Melhor do que aprender com os próprios erros é aprender com os erros dos outros.

Para minha surpresa, o amplificador estava funcionando muito bem e o estado geral era bem razoável. A principal reclamação do cliente era o alto nível de ruído. Foi identificado que o circuito de retorno do reverb e seu (já velhinho) potenciômetro estavam sendo responsáveis pela maior parte do ruído. Apenas consertar isto já deixaria o amplificador em condições de uso.

 

Estado Geral da Relíquia

20130320-02 - inside view - 700

O circuito do T3 (em sua maior parte copiado do Fender Twin Reverb) respeita os padrões da época. Certos detalhes hoje deixariam um técnico da ABNT horrorizado e são uma afronta à segurança.

Na minha opinião, talvez o pior seja a fina placa de fenolite (cerca de 1mm) onde a maioria dos resistores e capacitores são montados. Não é comum ver uma placa destas em tão bom estado após 40 anos.

O layout utiliza o próprio chassis como condutor das correntes de terra, o que é uma óbvia fonte de ruídos. Vamos procurar acertar os pontos mais críticos pois arrumar tudo seria praticamente reconstruir o amplificador.

 

Fonte Desmontada

20130320-03 - componentes da fonte - 700

Uma outra surpresa foi que a fonte, apesar de dois capacitores com sinal de vazamento, estava funcionando muito bem.

Mas como o cliente queria que os capacitores, além do transformador de entrada, fossem trocados, decidimos reconstruir toda a fonte. Se é pra fazer, vamos fazer bem feito.

 

Limpeza

20130320-04 - upper view without trafo and caps - 700

É bem perceptível pelo contraste entre as partes expostas e as que não estavam expostas (cobertas pelos suportes dos capacitores) o estado do equipamento após décadas de uso. Mas novamente uma surpresa: A maioria da sujeira parecia deposição de gordura e não ferrugem. Vai ver o palco ficava ao lado da cozinha...

Uma limpeza completa está fora de cogitação (e do orçamento) pois envolveria desmontar todo o amplificador, fazer um jateamento, talvez um tratamento químico (pintura, pelo menos) e montá-lo novamente.

20130320-05 - upper cleaned - 700

Ok, não é tão impressionante como uma máquina de Coca-Cola restaurada pelo Rick Dale mas já dá um ar de dignidade. Também, nosso objetivo não é deixá-lo como novo. O cliente quer um amplificador antigo apresentável e funcionando. Estamos no caminho certo.

Uma fonte de irritação na construção do T3 é a utilização de roscas no próprio chassi para fixação dos parafusos. Acontece que o chassi é muito fino pra isto e qualquer aperto forçado é suficiente para escariar uma rosca e dificultar a sua vida ao tentar tirar o parafuso. Quase meia-hora apenas para retirar os 12 parafusos dos soquetes das válvulas de pré é um exercício de paciência. Então aproveitamos para substituir os parafusos e colocar porcas auto-travantes. Também substituímos os parafusos e porcas dos soquetes das válvulas de saída.

 

Entrada de Energia

20130320-07 - entrada energia - 700

Algo que nunca aceitei muito bem foi a Giannini usar uma chave HH normal para o ajuste 110V/220V. Isto é um acidente esperando pra acontecer. O músico  coloca a mão por trás do equipamento, sem olhar, e muda para 110V achando que é a chave liga/desliga. Como nada acontece ele muda a chave ao lado e... não tem mais amplificador pra hoje à noite.

20130320-08 - chave 110 220 nova - 700

Problema resolvido! Aqui também substituímos os parafusos e colocamos porcas auto-travantes.

 

Limpeza interna

20130320-06 - inside view without trafo and caps - 700

Ok, não é bem uma limpeza. Vamos apenas tirar estes restos de solda no chassi (que nem deveriam estar aqui pra começar) e preparar o espaço para a nova fonte. Também vamos aproveitar e acertar a furação para o novo transformador de entrada.

20130320-09 - transformadores - 700

Falando em transformadores, à esquerda o novo. Bem mais bonito, não? E também esperamos que dê menos vibração e menor queda de tensão.

 

Refazendo a fonte

20130324-01 - chassi finalizado - 700

Fonte nova já instalada. Também aproveitamos e refizemos várias das ligações do estágio de saída.

A fonte foi feita sobre uma placa padrão. Exceto as conexões do terra, todas foram feitas por sobre a placa. Por baixo da placa (que não é muito adequada para altas tensões) passam apenas o aterramento e bias.

Falando em aterramento, o antigo cabo de energia também foi substituído por um novo de 3 pinos e o aterramento conectado.

O único trimpot de ajuste de bias foi substituído por dois de precisão, permitindo ajustar melhor a corrente nos dois pares de válvulas e compensar descasamentos, reduzindo ruídos.

Resistores para medição de bias em cada válvula foram instalados na placa. Ao fazer isto já reduzimos consideravelmente as correntes circulando pelo chassis, responsáveis por boa parte do “humming” (ruídos de 60Hz e múltiplos).

Vários outros detalhes foram corrigidos, como tempo do trêmolo etc. O ruído do reverb simplesmente desapareceu. Provavelmente estava ligado justamente às, já mencionadas, correntes circulando pelo chassis.

 

Finalizando

20130324-03 - final - 700

Com os resistores de medição individuais para cada válvula ficou fácil perceber outro problema. Uma das válvulas estava entrando em “overburn”. A corrente subia descontroladamente aumentando o hum e causando outros ruídos estranhos. Isto também podia ser percebido pelo avermelhamento da válvula mas com o chassi de cabeça pra baixo na bancada não dá pra ficar olhando as válvulas o tempo todo.

De qualquer forma o cliente queria mesmo usar o amplificador com metade da potência, então fizemos os testes com apenas um par instalado.

Potência em 8 ohms: 39,4 W

Pelas nossas medições, com as quatro válvulas de saída instaladas ele deve dar bem próximo de 100W.

 

Veredito

Quanto ao som, lembra muito o Fender Twin Reverb. Para simplificar, baratear e diminuir o tamanho a Giannini deixou de fora alguns ítens como os controles de médios mas não chegam a fazer muita falta.

O primeiro canal em especial tem um belo timbre limpo e ao levantar o volume leva o estágio de saída a uma distorção crunchada muito legal.

O segundo canal é mais problemático. Seria o mais útil por causa dos efeitos mas justamente os circuitos do Reverb e do Trêmolo deixam este canal mais sujo e ruidoso. Não é surpresa que o mesmo se nota no Twin original e outros amplificadores similares.

Resumindo, o T3 é um bom amplificador e se você tem um pegando poeira pode ser interessante colocá-lo pra funcionar novamente. Muitas vezes são problemas simples e fáceis de resolver mas é bom que um técnico de confiança analise o equipamento para que você não gaste dinheiro desnecessariamente.

Por outro lado comprar um amplifcador antigo para reformar pode ser perigoso e, novamente, é imprescindível a opinião de um bom técnico. A conta de um conserto complicado e um jogo novo de válvulas pode facilmente sair entre R$1.000,00 e R$2.000,00.

 

Esperamos que vocês tenham gostado deste nosso primeiro artigo e queremos ouvir a sua opinião.

Mande-nos suas críticas, dúvidas e sugestões: bruschiamps@bruschiamps.com.br

Grande abraço!

Edson Brusque

 

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