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28 de Março de 2013

ENTRADAS, SAÍDAS, LOOPS DE EFEITOS E A FAMIGERADA “ORDEM DOS PEDAIS”.

Por Edson Brusque
Ilustrações por João Gabriel Tonn

À primeira vista este é um assunto óbvio. Afinal o sinal entra na entrada e sai pela saída, certo?

Mas é justamente no óbvio que muita gente se complica. É grande a quantidade de músicos e técnicos que sentem dificuldade ao ligar e organizar os seus equipamentos  então vamos ajudá-los.

Vocês verão que é uma questão de detalhes, mas detalhes extremamente importantes que fazem toda a diferença na hora de conectar o seu equipamento.

 

TERMOS

Seguem alguns termos em inglês e seus equivalentes em português, que usaremos neste texto.

INPUT

ENTRADA

OUTPUT

SAÍDA

SEND

ENVIO

RETURN

RETORNO

FX LOOP

CONEXÃO DE EFEITOS

PREAMP

PRÉ AMPLIFICADOR

POWERAMP

AMPLIFICADOR DE POTÊNCIA

 

ENTRADAS E SAÍDAS

Se você costuma observar as especificações dos equipamentos que pretende comprar, já deve ter lido coisas como "entrada para fone de ouvido":

20130609-07

Afinal, é um buraco onde você enfia o plugue do fone de ouvido. O plugue entra no buraco e por isto a conexão é uma entrada, certo? ERRADO!

Você precisa pensar em termos de fluxo de sinal. Afinal o sinal (som, ainda em formato elétrico) sai do equipamento, passa pelos fios e chega ao fone de ouvido. Por isto, o equipamento possui uma saída para fone de ouvido.

Da mesma forma, quantas vezes vimos escrito "saída para microfone". Novamente, isto gera confusão:

20130609-08

Não é difícil de entender que o som captado pelo microfone, passa pelo fio e entra no equipamento. Então, o equipamento possui uma entrada para microfone.

Pense em uma caixa d'água. A água entra no topo e sai do fundo da caixa d'água, correto? Então a caixa d'água possui uma entrada no topo e uma saída no fundo.

Ok, até agora muito simples. Então vamos passar este conhecimento para uma situação que faz parte do dia a dia de um guitarrista:

20130609-01

Pelo ponto de vista do amplificador, o sinal da guitarra entra no conector de entrada e sai pela saída do alto-falante. Tudo muito óbvio, certo?

Só que pouca gente percebe que há mais entradas e saídas nesta figura: A guitarra possui uma saída e o alto-falante possui uma entrada.

É interessante ir se acostumando a pensar em termos de fluxo de sinal. A música existe no seu cérebro, que gera impulsos no seu corpo, que fazem seus dedos movimentarem, que geram vibração nas cordas do instrumento, o captador detecta estas vibrações, transforma em sinal elétrico, que passa por um circuito dentro da guitarra, sai da guitarra, passa pelo cabo, entra no amplificador, é processado, amplificado, sai do amplificador, passa por mais um cabo, chega ao alto-falante, que transforma em ondas sonoras, que são transmitidas pelo ar, que faz vibrar o seu tímpano, que transfere as vibrações para o ouvido interno, onde as ondas sonoras são transformadas em sinal elétrico, passam pelo nervo auditivo e, finalmente, chegam ao seu cérebro novamente.

Então, a guitarra também possui entrada (conjunto cordas/captador) e o alto-falante também possui saída (conjunto bobina/cone).

Mas vamos nos deter apenas no sinal elétrico. Como fica uma ligação com pedais? Normalmente algo do tipo:

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Como é fácil perceber, cada pedal também possui uma entrada e uma saída. Alguns pedais podem ter conexões bem mais complexas mas vamos ignorá-los desta vez.

Dê uma olhada no seu setup, acompanhando o fluxo do sinal, e procure entender cada conexão. Quanto melhor você entender o funcionamento do seu equipamento mais simples ele se torna pra você e mais facilmente você encontra problemas ou modifica as ligações.

Mas... e quanto ao LOOP DE EFEITOS?

 

LOOP DE EFEITOS

Na figura acima, se você trocar a posição do Wah e do Delay, haverá uma mudança drástica no timbre e funcionamento destes pedais. O Wah soa muito mais agressivo após a Distorção e o Delay soa meio sujo e descontrolado antes da distorção.

Quando é um pedal quem está gerando a distorção, é muito simples deixar o fluxo do sinal na ordem desejada. É só trocar a posição dos pedais e pronto. Mas se você quiser utilizar a distorção do amplificador, precisamos de um amplificador com loop de efeitos para poder colocar o Delay após a distorção do ampli. Mas como é, internamente, um amplificador com loop de efeitos?

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O PREAMP (pré amplificador) é a parte do circuito do amplificador que recebe o sinal da guitarra e permite a você modificá-lo de diversas formas (pelos controles de equalização, distorção etc).

O POWERAMP (amplificador de potência) é a parte do circuito que transforma o sinal relativamente fraco com que o PREAMP, pedais etc lidam e o deixa com potência suficiente para excitar o alto-falante.

O loop de efeitos é formado por dois conectores: ENVIO (que manda o sinal para processamento externo) e o RETORNO (por onde o sinal processado retorna).

Quando não há nada plugado no RETORNO, dentro do amplificador uma ligação é feita entre o conectores ENVIO E RETORNO (a linha tracejada da figura) e a saída do PREAMP fica automaticamente conectada à entrada do POWERAMP.

Entretanto, quando um efeito é conectado no ENVIO e RETORNO, esta ligação é quebrada e temos algo assim:

20130609-04

Veja que, no exemplo acima, o DELAY foi inserido entre o ENVIO e o RETORNO. Ou melhor, entre o PREAMP e o POWERAMP.

Então, no seu amplificador:
INPUT (Entrada) é a entrada do PREAMP.
SEND (Envio) é a saída do PREAMP.
RETURN (Retorno) é a entrada do POWERAMP.
OUTPUT (Saída) é a saída do POWERAMP.

Existem loops de efeitos mais complexos, com controle do nível do sinal enviado e ajuste de ganho do sinal recebido. Às vezes até mesmo com mixagem do sinal dry (seco, o sinal que não passou pelos efeitos) com o sinal wet (molhado, o sinal que passou pelos efeitos).

Existem também alguns loops problemáticos. Alguns amplificadores trabalham com níveis de sinal muito alto no loop, fazendo com que a entrada de um pedal (colocado no loop de efeitos) distorça e a saída do pedal não seja suficiente para excitar o POWERAMP à máxima potência.

Em alguns amplificadores você tem uma chave para ignorar ("bypass") todo o circuito do loop. Isto costuma ocorrer em amplificadores "reissue", reedições de amplificadores clássicos em que o circuito de loop pode alterar a sonoridade original do amplificador.

No Bruschi G40 nós desenhamos um loop de efeitos que, nas palavras do mestre Torao, "não tem dor de cabeça". Você simplesmente conecta os efeitos e sai tocando, sem se preocupar com ajustes no amplificador. Além disso o circuito do loop de efeitos é parte integrante do desenho do amplificador. Não é algo enxertado após o circuito ter sido definido. Por isto ele também é responsável pelo timbre do G40.

 

ORDEM DOS PEDAIS

Como foi visto, a principal razão do loop de efeitos é para que (em amplificadores onde o PREAMP possa ser distorcido) você tenha a possibilidade de colocar efeitos após o PREAMP. Mas, afinal, o que muda quando você altera a posição de um efeito?

Se você tiver um pedal de volume, experimente colocá-lo após a distorção. Você controla o volume do instrumento e ele funcionará adequadamente independente da distorção estar acionada ou não.

Agora coloque-o antes da distorção. Você notará que com a distorção desacionada o funcionamento é o mesmo de antes. Mas se você ligar a distorção, agora você não controla mais o volume. Você controla a quantidade de distorção!

O mesmo ocorre com um delay. Ligado antes da distorção, o som original soará normalmente mas a primeira repetição, ao invés de soar com menos volume, soará menos distorcida (e com o mesmo volume). Cada repetição soará menos distorcida que a anterior, até que o volume sumirá abruptamente. Se você ligar o delay depois da distorção, terá o efeito mais comumente associado a um delay. Cada repetição soa mais baixo do que a anterior, com timbre praticamente igual ao original.

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Nos gráficos acima, a altura das barras significam o volume enquanto as larguras significam a quantidade de distorção. Compare o comportamento de um par Delay + Distorção nas duas situações.

Além disso, distorção não lida muito bem com dissonâncias. Se você tocar um lá enquanto o delay repete um si, a sonoridade da distorção (provavelmente) não será o que você gostaria.

O mesmo se aplica aos demais efeitos. Um chorus antes do delay soa ligeiramente diferente, um pouco mais rico do que um chorus depois do delay.

Existe uma ordem padrão de conectar os pedais, apresentada abaixo. Não que seja a forma "correta" mas é como a maioria dos "grandes nomes" utilizam e é um ótimo ponto de partida.

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Pode até ser que você curta a sonoridade mais suja do delay antes da distorção por isto, novamente, não existe maneira "certa" ou "errada" de ligar os seus pedais. Teste todas as combinações e use a que mais lhe agradar.

 

FINALIZANDO

Quanto mais você compreende o seu equipamento, mais fácil se torna personalizá-lo e chegar ao melhor resultado. Entendendo bem como cada equipamento é ligado, também se torna mais fácil encontrar problemas quando eles surgirem.

Por exemplo, digamos que o som parou no meio de uma apresentação. Entendendo que há um chaveamento no conetor RETORNO você tira o plugue e se o som voltar, significa que o problema é nos pedais que estão ligados no loop de efeitos.

E se o seu amplificador parar de funcionar você pode fazer um teste ligando a guitarra diretamente no RETORNO, mandando o sinal da guitarra direto para o POWERAMP. Se sair som (mesmo que mais baixo) significa que o problema está no PREAMP. Você pode até mesmo ligar os seus pedais entre a guitarra e o POWERAMP, ignorando completamente o PREAMP. Claro que não será o mesmo som mas ao menos você não fica sem amplificador no meio do show.

Um grande abraço!

Edson Brusque
bruschiamps@bruschiamps.com.br

 

Que assunto você quer que abordemos nos próximos artigos? Mande-nos a sua sugestão!

 

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